Respiração
Produção e consumo de alimentos
Oxigênio
Cadeias alimentares
Reprodução
Proteção
O meio ambiente
Um conjunto
Nicho ecológico e nicho trófico
Sem improvisação
Integração nos ecossistemas
O equilíbrio através dos canais de
energia
O homem nos ecossistemas
Biosfera: os limites dos seres vivos
Tecnosferra: o ambiente artificial
A vida em sociedades
Desenvolvimento e proteção
Poluição
A Amazônia
O Semi-árido
(Caatinga)
O Cerrado
A Mata Atlântica
Ameaçada,
a floresta tenta sobreviver após 500 anos de devastação
Ecossistema Mata Atlântica está
ameaçada de extinção
Formações
florestais são encontradas em 17 Estados brasileiros
Desmatamento
reflete falta de controle dos órgãos ambientais
Riqueza biológica
Estados
com domínio da Mata Atlântica
SC
tem apenas 17,4% da floresta original
Recorde
Expectativa
O Pantanal Mato-Grossense
Outras Formações Os Campos do
Sul (Pampas)
A
Mata de Araucárias (Região dos Pinheirais)
Ecossistemas
costeiros e insulares
Urbanização
é fator de risco para ecossistemas costeiros
A
economia da natureza
Os seres vivos sempre fazem parte de comunidades heterogêneas,
mantendo, com o meio físico e entre si, relações de interdependência,
ainda que remotas. Cada espécie necessita de substâncias
ou componentes básicos do meio para sua alimentação, reprodução
e proteção. Além disso, há exigências quanto à estrutura
e topografia do ambiente para que a espécie desenvolva seus
hábitos característicos.
Tudo isso faz com que cada espécie somente se desenvolva
em ambiente onde existam composição e estrutura favoráveis,
chamado de habitat, de maneira geral. Mas o ambiente ou
habitat não é constituído exclusivamente pelo meio físico.
Frequentemente, o nicho ecológico, isto é, o alimento, o
material para a construção de ninhos ou os meios de proteção,
são oferecidos ou disputados por outros seres vivos, seus
concorrentes ou predadores.
A integração equilibrada de todos esses fatores (físicos,
químicos e biológicos), é que permite e regula a sobrevivência,
o desenvolvimento e o equilíbrio populacional de uma determinada
espécie biológica. Nesses ciclos ecológicos, há uma reciprocidade
na qual a economia da natureza não significa o predomínio
desta ou daquela espécie; significa sim o desenvolvimento
harmônico e equilibrado de todos os seres vivos.
[topo]
O desequilíbrio
Quando o meio ambiente não é capaz de fornecer as condições
exigidas para a vida - nutrição, reprodução e proteção -
ele se torna impróprio à sobrevivência do ser vivo. O sapo-boi,
por exemplo, destrói certos besouros que prejudicam o cultivo
da cana-de-açúcar. Entretanto, ele também se alimenta de
insetos destruidores de moscas transmissoras de doenças.
Como o sapo-boi prolifera com facilidade (vive 40 anos e
põe 40 mil ovos por ano), é perigoso colocá-lo em regiões
onde não existam outras espécies que possam devorá-lo, pois
desta forma o equilíbrio ecológico não será mantido. É,
por outro lado, o sapo-boi que é tão bom para a agricultura,
é também o responsável indireto pela proliferação de doenças.
O próprio homem se encarrega de quebrar o ciclo natural
da sobrevivência. E em nome do conforto, do bem estar -
e mais, do poder - o homem está transformado o seu meio
ambiente, trazendo a poluição e provocando tragédias ecológicas.
Isso porque não está sabendo explorar adequadamente os recursos
renováveis e não-renováveis da natureza. Até meados do século
19, a atividade do homem não concorria de forma tão acentuada
para provocar mudanças drásticas que pudessem alterar a
biosfera. A partir de revolução industrial, entretanto,
e das grandes guerras mundiais, é que essas transformações
começaram a ser sentidas com intensidade. É nessa época
que a Inglaterra começa a conhecer os problemas de poluição
do ar e da água.
A medida que o homem foi adaptando o meio ambiente às suas
exigências progressistas, criando vacinas, meios de transportes,
novas habitações, aparelhos sofisticados, novas formas de
energia, explorando desordenadamente os recursos naturais,
foi causando impactos e poluindo o ambiente. A exploração
demográfica também teve sua influência: tendo necessidade
de maior quantidade de alimentos, o homem precisou preservá-los,
utilizando irracionalmente os defensivos agrícolas na lavoura
e na indústria.
[topo]
A troca
de energia
O que aconteceu é que o homem partiu de uma visão puramente
naturalista quanto à relação dos seres vivos com seu ambiente,
para um pensamento imediatista, de explorar avidamente todos
os recursos oferecidos pela natureza.
Antes, ele achava que as florestas, os rios, por exemplo,
eram e deviam ser mantidos como verdadeiras obras de arte
- levando em consideração apenas o lado estético, sem se
preocupar com sua com sua própria atividade, como se não
fosse parte integrante da natureza. Mas tarde, só teve preocupação
de tirar proveito desses recursos a qualquer custo, aqui
e agora, sem pensar nas populações futuras.
Embora esse enfoque ainda persista em certos setores da
humanidade, o homem já percebeu (ou está percebendo) que
a utilização indiscriminada ou inadequada do meio ambiente
poderá levar não ao bem estar das pessoas, mas à destruição
da vida no Globo. Percebeu ou está percebendo que a economia
da natureza não deve significar o poderio econômico de alguns,
mas sim a distribuição ou troca dinâmica e racional da energia
produzida, visando a uma reciprocidade ou equilíbrio harmônico
para o convívio das espécies vivas.
Dessa forma, um terceiro enfoque da ecologia é o que reconhece
a existência dos recursos naturais, a necessidade de sua
exploração para que o homem possa sobreviver. E também a
necessidade imperiosa do estabelecimento de normas e medidas
que racionalizem as atividades humanas e a utilização do
ambiente.
[topo]
Ecologia
Quem utilizou, pela primeira vez, o termo ecologia,
em 1866, foi o naturalista alemão Ernest Haeckel, propagador
das idéias de Darwin. Ele a definiu como "economia biológica
ou economia da natureza", ou ainda "ciência dos costumes
dos organismos, suas necessidades vitais e suas relações
com outros organismos" e mais, como "o estudo das relações
de um organismo com seu ambiente inorgânico e orgânico".
Atualmente, a definição de ecologia (do grego oikos - casa)
está mais restrita ao estudo das relações entre organismos
e o meio, enquanto o termo etologia (que para Haeckel era
empregado como sinônimo de ecologia) se reserva ao estudo
de costumes.
[topo]
O ser vivo
Quando Lavoisier enunciou o princípio de que "na natureza
nada se cria e nada se perde, tudo se transforma", estava
falando em ecologia. E é fácil perceber que o cientista
estava certo em sua análise do ser vivo e suas atividades
básicas.
Segundo os pesquisadores, todo ser vivo é constituído de
moléculas orgânicas, isto é, grandes moléculas formadas
de extensas cadeias de carbono. Esse tipo de composto apresenta
inúmeras vantagens para o organismo, devido ao seu grande
tamanho, propriedades coloidais etc. Além disso, é um verdadeiro
reservatório de energia.
Quanto mais extensa e complexa é a molécula, maior a quantidade
de energia necessária para produzi-la. Por outro lado, maior
será a quantidade de energia armazenada e disponível para
as atividades vitais.
Nutrição é o processo de obtenção de matéria e energia do
meio para a construção do organismo - e, portanto, o crescimento
e multiplicação - e realização de suas atividades (movimentos,
reações químicas diversas, manutenção de temperatura etc.).
Há duas maneiras básicas de nutrição. Ou os organismos se
alimentam de compostos orgânicos já existentes no meio ou
sintetizam e produzem esses compostos orgânicos.
Para a produção dos compostos, há necessidade de carbono
obtido do gás carbônico e de grandes quantidades de energia.
A fim de se alimentarem de compostos orgânicos, as espécies
consomem outros seres vivos ou seus produtos, pois na natureza,
os compostos orgânicos são produzidos pelos seres vivos.
Pode-se dizer, então, que direta ou indiretamente, toda
atividade vital na Terra depende da capacidade de produção
de matéria orgânica.
[topo]
A fotossíntese
Nem todos os seres vivos têm capacidade de produzir
compostos orgânicos a partir de carbono não orgânico. Somente
os chamados autótrofos (produtores), em sua maioria, utilizam
a luz solar como energia para a síntese (produção). Os outros
organismos, denominados heterótrofos (consumidores ou decompositores)
dependem basicamente da existência dos primeiros para a
sua sobrevivência.
Os seres autótrofos são todos vegetais. Os heterótrofos
são os animais e alguns grupos vegetais, como os fungos
(cogumelos, mofos, levedos) e muitas bactérias.
Os autótrofos têm um pigmento verde, a clorofila que, exposta
à luz do sol, transforma o gás carbônico em alimento (compostos
orgânicos), liberando o oxigênio. É o processo da fotossíntese
que, para ser realizado, depende também da água.
A vida no nosso planeta depende, assim, da existência da
luz, da clorofila e da água. Há exceções: algumas bactérias
que sintetizam compostos orgânicos empregando a energia
resultante de reações químicas que provocam no meio; mas
isso é inexpressivo, em face da fotossíntese.
[topo]
Respiração
O animal ou ser humano, ao ingerir compostos orgânicos
obtidos direta ou indiretamente dos vegetais verdes, adquire,
por este processo, sua reserva de energia disponível, que
fica acumulada principalmente sob a forma de gordura ou
de açucares, nas células do corpo.
Para dispor dessa energia, basta que realize a reação contrária,
isto é, transforme novamente estes compostos em gás carbônico:
a transformação de um composto rico em energia em outro
composto pobre em energia levará, necessariamente, ao desprendimento
ou restituição da energia acumulada, segundo o princípio
de Lavoisier. Esta transformação é feita pelos animais com
a intervenção do oxigênio: trata-se de uma reação de oxidação
que recebe o nome de respiração.
[topo]
Produção
e consumo de alimentos
Em todo processo de respiração há destruição ou decomposição
de compostos orgânicos. Ou melhor: na natureza, a todo processo
de composição (produção de alimentos) segue-se outro de
decomposição (análise).
Esse equilíbrio é condição fundamental à continuidade da
vida, porque se a quantidade de energia solar é praticamente
inesgotável, por sua vez, a quantidade de carbono e outros
elementos constitutivos das moléculas orgânicas é limitada
no ambiente habitado.
Assim, produzir e consumir alimentos são processos vitais
em cadeia. Uma árvore produz frutos. Aparecem pássaros que
se alimentam deles. A árvore é um ser produtor e os pássaros
são seres consumidores primários, porque se alimentam desse
produtor. O gavião, que devora o pássaro é um consumidor
secundário. A onça, que come o gavião, é consumidor terciário
e assim por diante.
[topo]
Oxigênio
Pristley, no século 18, faz uma experiência interessante.
Colocou um rato sob uma campânula de vidro e uma planta
sob outra. Ambos os organismos morreram depois de algum
tempo. O primeiro por falta de oxigênio, e o segundo por
não ter quem consumisse seu oxigênio. Em seguida, o cientista
colocou outro ratinho e outra planta sob a mesma campânula
e os dois sobreviveram. Isso ilustra bem que a produção
e o consumo de oxigênio é um processo fundamental à continuidade
da vida no Planeta.
Os vegetais fotossintetizantes, ao produzirem compostos
orgânicos, liberam, com subproduto da reação, oxigênio molecular
que enriquece o meio. Eles produzem muito mais oxigênio
do que necessitam, permitindo a respiração de todos os consumidores
aeróbios (a respiração aeróbia é realizada em mais larga
escala na natureza).
Com o consumo de oxigênio na respiração e equivalente ao
oxigênio produzido na fotossíntese, assim como ocorre inversamente
com o gás carbônico, essas substâncias se equilibram no
ambiente atmosférico, mesmo levando-se em conta as taxas
de respiração e fotossíntese das plantas nos períodos diurnos
e noturnos. Assim, a equivalência das atividades de síntese
e de decomposição é responsável, também, pela manutenção
do equilíbrio entre esses gases na Terra.
[topo]
Cadeias
alimentares
A capacidade de produzir e utilizar compostos orgânicos
existentes no meio varia de uma para outra espécie vegetal
ou animal. Cada espécie apresenta, assim, exigências particulares
ou específicas com relação à composição e estrutura do meio
ambiente.
Dessa forma, segundo o professor Samuel Murgel Branco, "o
tipo de alimentação de cada espécie é um dos mais importantes
fatores ecológicos a determinar a existência, a abundância,
a predominância ou o equilíbrio em um determinado ambiente".
Essas exigências particulares de alimento levam à existência
de cadeias alimentares em cada ambiente ecológico. As cadeias
se compõem de diferentes espécies de produtores e consumidores,
uns sendo o alimento dos outros. Assim, a reprodução de
cada um deles tem que ser suficientemente grande para, além
de dar continuidade à própria espécie, fornecer o alimento
indispensável à espécie que dela depende.
A destruição de um só dos elos dessa cadeia pode ter efeitos
catastróficos, causando o desaparecimento total do elo seguinte
(dependente do primeiro) e a superpopulação do meio pelo
elo anterior. A eliminação de aranhas de uma região, por
exemplo, pode causar o desaparecimento total do vespão que
delas se alimentam e, conseqüentemente, a superpopulação
de insetos.
O desequilíbrio pode ocorrer também com a introdução de
um elemento estranho à cadeia e cuja proliferação se torna
muitas vezes incontrolável. Por exemplo: a introdução do
coelho na Austrália, para destruir cactos e plantas daninhas,
gerou problemas ainda mais sérios que o anterior. O animal
passou a dizimar plantações e não havia, na fauna local,
outra espécie capaz de destruí-los. Esses elementos estranhos
podem ser também substâncias - fertilizantes, por exemplo
- que o homem utiliza para elevar a produção por área. Essas
substâncias nutrem excessivamente organismos autótrofos
e heterótrofos, quebrando o processo de síntese e decomposição.
Quando se introduz, por exemplo, resíduos sólidos ou líquidos
nas águas de um lago, isso pode conduzir a uma superpopulação
de bactérias que consomem todo oxigênio, levando à morte
peixes e outros seres aeróbios (processo de eutrofização).
[topo]
Reprodução
Muitas plantas dependem de fatores físicos, como o vento
ou a água, para transporte de seus grãos de pólen ou de
suas sementes, que garantem sua fecundação e disseminação.
Isso prova que o processo de reprodução - indispensável
também à continuidade da vida na Terra - está ligado às
condições ambientais, que o favorecem ou prejudicam.
Freqüentemente a reprodução envolve também relações interespecíficas,
por vezes bastante complexas. Certas espécies dependem de
outras para a realização de seu processo reprodutivo. Pássaros,
morcegos, e outros animais são indispensáveis, por exemplo,
ao transporte de sementes, garantindo a disseminação da
espécie vegetal.
Algumas sementes possuem substâncias mucilaginosas que as
fixam ao bico das aves, obrigando-as a esfregá-los na superfície
de outra árvore, sobre a qual a semente germina.
A intervenção do homem na natureza, modificando ou eliminando
qualquer um desses fatores ou seres responsáveis pela fecundação
ou disseminação, pode originar profundas mudanças ecológicas.
[topo]
Proteção
É preciso, pois, assegurar a sobrevivência da espécie
e, para isso, dispor de estruturas e processos que as protejam
de fenômenos naturais (intempéries) e da agressão de outros
seres vivos.
Qualquer animal que não disponha de recursos defensivos
eficientes pode ser completamente destruído por seus predadores
naturais (há seres vivos que vivem da predação). Os vegetais
não correm tanto risco por terem o poder da regeneração
de suas partes lesadas ou amputadas e por terem crescimento
vegetativo ilimitado. Apenas alguns animais têm essa capacidade
de regeneração.
Os sistemas de proteção vão desde a simples camuflagem (o
urso branco, por exemplo, confunde-se com a neve; e o tigre,
com suas listas, com a vegetação típica do ambiente) até
a construção de abrigos para o animal e sua prole (as conchas
dos moluscos, as tocas dos roedores etc.).
Espinhos ( como os dos ouriços), couraças (das tartarugas
e tatus), são outros tipos de estruturas defensivas. "Mas
nem eles nem os abrigos acham-se tão intimamente relacionados
com a natureza do meio ambiente quanto a camuflagem", diz
o professor Samuel Murgel Branco.
O camaleão, por exemplo, possui a capacidade de mudar a
cor de sua pele, o que lhe possibilita confundir-se com
uma grande variedade de locais. As borboletas têm as cores
e a forma de pétalas de flores. Algumas gaivotas têm a coloração
cinza azulada no dorso, que é confundida com a água do mar,
quando vista de cima, e a cor branca na região ventral,
que lhe permite não ser percebida pelos peixes, suas vítimas,
de encontro à luz.
Quando a fauna natural desaparece, acontece um excessivo
e desastroso desenvolvimento de animais nocivos que, por
quantidade, acabam se livrando de seus predadores naturais,
ficando com campo aberto para agir. Isso é muito comum na
abertura da estradas ou grandes obras, quando é freqüente
o aparecimento de doenças transmitidas principalmente por
insetos.
[topo]
O meio ambiente
O meio ambiente, o sistema ecológico ou ainda o ecossistema
constituem-se num conjunto de elementos e fatores indispensáveis
à vida. Qualquer unidade que inclua todos os organismos
(a comunidade) de uma determinada área interagindo com o
meio físico, constitui um sistema ecológico ou ecossistema,
onde há um intercâmbio de matérias vivas e não vivas.
Para Samuel Branco, "no meio ambiente pode não haver vida.
Já o ecossistema pressupõe, em si mesmo, a existência de
visa". Ele explica: - O meio ambiente constitui-se numa
noção mais estática. Embora contenha elementos e condições
necessárias à vida, pode não haver estrutura que a condicione.
Meio ambiente também difere de habitat, que já dá uma conotação
geográfica ou espacial. O habitat seria o ambiente nativo.
Exemplos de ecossistemas: uma floresta inteira ou uma simples
bromélia (família de plantas semelhantes ao abacaxi), um
lago, um rio.
[topo]
Um conjunto
Muitos fatores e elementos delimitam a composição de
um ecossistema. Existe. por exemplo, a composição física
do meio, como a natureza do solo, luminosidade, temperatura
etc. A composição química: sais minerais e compostos orgânicos
utilizados como nutrientes; acidez ou alcalinidade; oxigênio;
gás carbônico. Há a presença de outras espécies: predadores,
seres que vivem do mesmo tipo de alimento ou que depende
reciprocamente uma espécie da outra, parasitas, alelopatas,
que são vegetais que, através de suas folhas, ramos, frutos
ou raízes, produzem substâncias que dificultam o crescimento
de outros vegetais.
[topo]
Nicho ecológico
e nicho trófico
Nicho
ecológico pode ser conceituado como um conjunto de características
ambientais estatísticas, como fatores físicos, alimentação
e predadores que definem o lugar no sentido funcional da
espécie na natureza.
Quando
esse sistema é analisado do ponto de vista energético (organismo-alimento-meio),
é chamado de nicho trófico.
[topo]
Sem
improvisação
Há
ambientes naturais artificiais. Os naturais são constituídos
por componentes dos ecossistemas em geral e que atendem
às necessidades básicas de nutrição, reprodução e proteção.
Os
seres vivos utilizam-se oportunamente dos elementos da natureza,
mas são passivos em relação à estrutura e composição do
meio ambiente. Sua participação na composição do ambiente
ecológico é puramente circunstancial. Raríssimas espécies
provocam alterações direcionais em um ecossistema, como
as formigas, abelhas ou os castores que, mesmo assim, têm
sua capacidade extremamente limitada por fatores naturais.
As
abelhas, por exemplo, constróem
habilidosamente suas colônias, mas dependem da existência
de flores nas proximidades, como fonte de néctar e pólen
para sua sobrevivência.
Os
castores, por sua vez, cortam árvores e constroem barragens
com os troncos, originando os lagos
- ambiente favorável à sua vida e reprodução. Entretanto,
na ausência de árvores, não conseguem substituí-las por
outro material, como blocos de pedra, por exemplo.
Além
disso, em todas as realizações, o animal nunca improvisa.
Segue um padrão rígido de construção. Faz
tentativas para fugir de uma armadilha, mas é incapaz
de realizar experiências no sentido de conquistar um ambiente
novo ou de alterar sua habitação natural. Ou ele encontra
o ambiente e os materiais necessários ao seu modo de vida
ou ele morre.
Na
natureza, só o homem é capaz de fugir inteiramente a essas
restrições. Sua capacidade de improvisação não tem limites
e ele a usa para mudar seu ambiente de modo a torná-lo mais
adequado ao seu tipo de vida. Que, por sinal, foi modificado
por ele mesmo, perdendo seu sentido natural de satisfação
e necessidades fisiológicas básicas.
Começaram
a surgir no homem as necessidades
ideais, traduzidas em conforto, bem estar, padrões estéticos,
poder, satisfação de aptidões intelectuais, resultantes
de atividade mental que lhe é peculiar e exclusiva.
[topo]
Integração
nos ecossistemas
O
peixe está integrado em um ecossistema na medida em que
se alimenta de crustáceos e estes de algas, que captam energia
solar. Um leão faz parte de um ecossistema florestal porque
se alimenta de pequenos animais, por sua vez, devoram outros
menores, consumidores de vegetais, que captam energia solar.
Nem
o peixe pode viver na floresta nem o leão no mar, simplesmente
por não disporem de condições de obter alimentos (ou energia)
nos ambientes trocados.
Um
ser vivo está integrado em determinado ecossistema quando
é capaz de fazer convergir para si as
energias ou partes das energias Canalizadas através desse
sistema, por intermédio de reações tróficas.
Não
basta existir a energia no meio. Para dispor dela, os seres
vivos necessitam de aptidões específicas e isso acaba por
determinar a fixação da espécie a um único ecossistema,
assim como estabelece um processo particular de canalização
de energia através de elementos desse ecossistema.
Aqui
também aparece o homem como exceção à regra. Ele é o único
ser vivo que não é filiado a qualquer tipo de ecossistema.
Ele consegue utilizar em seu benefício várias fontes físicas
ou químicas de energia, sendo capaz de obter alimentos (energia)
em qualquer ecossistema.
[topo]
O
equilíbrio através dos canais de energia
Os
canais de energia nos ecossistema é que dão à natureza sua
estabilidade, limitando a ação predatória que poderia facilmente
acabar com uma espécie ou mesmo com um ecossistema. É fácil
imaginar o que aconteceria se qualquer ser vivo pudesse se alimentar de toda espécie de animais ou
vegetais que encontrasse pela frente.
É
aqui que se pode sentir o perigo resultante de independência
ecológica ou energética do ser humano.
[topo]
O
homem nos ecossistemas
Talvez
tenha sido quando começou a utilizar o fogo que o homem
iniciou as mudanças de seu ambiente ecológico. Ao queimar
matas para o plantio e devastar florestas para obter combustível,
ele deu origem aos primeiros desertos e aos problemas de
erosão. A agricultura intensiva levou, em certas áreas,
ao esgotamento dos nutrientes minerais da terra e sua consequente
esterilização.
Os
conflitos entre o ser humano e o ambiente que ele próprio
criou começaram, pois, com a substituição dos processos
naturais por métodos artificiais. E, se por um lado o homem
não pode abandonar a tecnologia que criou e desenvolveu,
por estar adaptado ao meio artificial originado por ela,
por outro lado não poderá suportar indefinidamente o excesso
de energia e os subprodutos introduzidos em seu meio ambiente
natural.
É
assim que o homem é obrigado a tentar soluções através do
desenvolvimento de uma nova tecnologia de proteção ao meio
ambiente.
[topo]
Biosfera:
os limites dos seres vivos
Nenhum
ser vivo é capaz de viver permanentemente em temperaturas
superiores a 70 ou 80 graus centígrados. Como também não
agüentaria permanecer por muito tempo em temperaturas muito
baixas. Existem limites em relação às variações do meio.
Esses
extremos de tolerância natural dos seres vivos é que constituem
as fronteiras que demarcam a biosfera. Não se trata, então,
de uma camada geométrica do globo em que é possível a existência
de vida. Isso tem um sentido muito mais ideal do que físico:
vai até onde o ser vivo pode ir, com vida.
Os
limites de tolerância estão também condicionados à velocidade
e forma em que acontecem as mudanças no meio ambiente. Se
as alterações forem muito rápidas, por exemplo, podem ocasionar
o desaparecimento de espécies e até grandes catástrofes.
Já as modificações lentas permitem uma adaptação evolutiva
(evolução das espécies).
O
homem sempre difere dos outros seres pela sua possibilidade
de improvisação e criatividade. É dessa forma que escapa
à seleção natural pela fome ou escassez de alimentos, tendo
mais condições de sobreviver às mudanças e crescer populacionalmente.
[topo]
Tecnosferra: o ambiente artificial
Para
sobreviver a doenças e intempéries, o homem teve que desenvolver
métodos e técnicas, amoldando o meio ambiente a novas condições
e necessidades humanas. Aparecem substâncias contra as pragas
da lavoura, que passaram a pertencer ao ambiente. Assim
como surgiram métodos e substâncias para a preservação dos
alimentos por tempo ilimitado e que se incorporaram ao nosso
ecossistema.
Todos
esses recursos artificiais utilizados pelo homem foram se
tornando indispensáveis. A ele se dá o nome de tecnologia.
E, o ambiente inteiramente artificial resultante da tecnologia
vem sendo chamado de tecnosfera.
[topo]
A
vida em sociedades
Todos
os seres vivos têm a tendência de viver em grupos de estruturas
definidas, principalmente quanto à divisão de trabalho.
Desde modo, é mais fácil obter alimentos, defender a prole,
sem contar que a possibilidade de sobrevivência é muito
maior do que com a vida isolada.
Entre
os animais nota-se também a existência de castas, que diferem
entre si por funções, e também biologicamente, como no caso
das abelhas.
As
grandes diferenças entre essas comunidades e as humanas
são que o homem não difere de outro homem biologicamente:
a seleção de trabalho é feita por seleção resultante de
hábito ou treinamento, de tendência a aptidões mentais e
de pressões sociais.
Outra
diferença é que o homem, apesar de viver em comunidade,
mantém um alto grau de individualidade - o que não acontece
com os outros seres vivos. E da atividade mental do homem
surge a originalidade, que também
só se aplica ao ser humano, e cuja ausência em outros tipos
de sociedade permite maior rigidez de estrutura e automatismo.
Como
o homem é um ser individualista e criativo, sua dependência
dos demais de sua espécie é apenas casual e questionável.
Nessas condições, sua função na sociedade assume aspecto
de obrigações.
Dessa
forma, começou a existir o senso ético ou padrão de comportamento,
única base para uma atividade cooperativa na comunidade
humana. Não tendo base biológica, o padrão e o comportamento
só podem derivar da compreensão, ou melhor, as obrigações
do homem para com a comunidade só são assumidas quando entendidas
suas finalidades.
O
controle da qualidade do meio ambiente, por exemplo, quando
realizado por animais, em benefício da sua comunidade, resulta
de um padrão biológico. No caso do homem, a preservação
de seu ecossistema somente será conseguida através de um
processo de conscientização nesse sentido.
[topo]
Desenvolvimento
e proteção
Entretanto,
o conflito entre desenvolvimento (produção) e proteção ao
meio ambiente dificulta essa conscientização, A ação da
tecnologia em relação às condições de sobrevivência do homem
é geograficamente desigual. Em algumas áreas, a tecnologia
mal aplicada gera grandes problemas para a qualidade da
vida.
Há
possibilidade de se desenvolver uma tecnologia branda, voltada
para o uso de substâncias recicláveis, fontes de energia
que não produzam resíduos que comprometam o meio ambiente.
É
preciso, também, planejar-se adequadamente as atividades
produtivas, visando a sua distribuição racional em relação
às disponibilidades de área, de água e de recursos naturais
em geral.
[topo]
Poluição
É
característica da atividade humana provocar
desequilíbrios. Da mesma forma como o homem obtém energia
e trabalho a partir de desequilíbrios térmicos (nas máquinas
a vapor ou de explosão) ou de desequilíbrios mecânicos (energia
hidráulica) ou de desequilíbrios químicos (pilhas elétricas)
ou ainda desequilíbrios atômicos (energia nuclear), ele
procura, através de desequilíbrios ecológicos, obter
maior rendimento energético.
Quando
alteração ecológica afeta, de maneira nociva, direta ou
indiretamente, a vida e o bem estar humano, trata-se de poluição. É a modificação
de características de um ambiente de modo a torná-lo impróprio
às formas de vida que ele normalmente abriga. Uma pequena
redução de teor normal de oxigênio de um curso de água,
por exemplo, causado por uma insignificante elevação de
sua temperatura, pode provocar o desaparecimento e substituição
de um grande número de pequenos seres excepcionalmente ávidos
de oxigênio, como as larvas de libélulas. Isso pode se constituir
numa séria alteração ecológica em um rio de montanha, de
águas muito frias, pois provoca uma sensível mudança qualitativa
de sua flora e fauna. Mas se a queda de concentração de
oxigênio for insuficiente para afetar a vida de peixes e
a fauna original for substituída por organismo que ainda
lhe sirvam de alimento, essa alteração ecológica não poderá
ser considerada poluição.
A
nocividade da poluição tem um caráter passivo e não ativo.
Caracteriza-se pela perda das condições propícias à vida
de determinadas espécies vegetais e animais. Um incêndio
não é um fator ecológico e, assim, não é poluição. O fogo,
além disso, não tem valor seletivo, do ponto de vista biológico.
A presença e a permanência de um tóxico na água de
um rio pode ter
valor seletivo, eliminando parte da poluição biológica e
permitindo a sobrevivência e a proliferação da outra parte
ou mesmo o aparecimento de nova flora em substituição às
primeiras. Mas é um elemento ativo e não passivo. Da mesma
forma, o lançamento de uma rede de pesca tem valor seletivo,
destruindo apenas certos tipos de organismos (peixes) de
acordo com seu tamanho. Mas, sendo um processo ativo, não
pode ser considerado elemento ecológico ou poluidor.
[topo]
A Amazônia
A
Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do Brasil, abrangendo
cerca de 47% do território nacional.
É a maior formação florestal do planeta, condicionada pelo
clima equatorial úmido. Esta possui uma grande variedade
de fisionomias vegetais, desde as florestas densas até os
campos. Florestas densas são representadas pelas florestas
de terra firme, as florestas de várzea, periodicamente alagadas,
e as florestas de igapó, permanentemente inundadas e ocorrem
na por quase toda a Amazônia central. Os campos de Roraima
ocorrem sobre solos pobres no extremo setentrional da bacia
do Rio Branco. As campinaranas
desenvolvem-se sobre solos arenosos, espalhando-se em manchas
ao longo da bacia do Rio Negro. Ocorrem ainda áreas de cerrado
isoladas do ecossistema do Cerrado do planalto central brasileiro.
[topo]
O
Semi-árido (Caatinga)
A área nuclear do Semi-Árido compreende todos os estados
do Nordeste brasileiro, além do norte de Minas Gerais, ocupando
cerca de 11% do território nacional.
Seu interior, o Sertão nordestino, é caracterizado
pela ocorrência da vegetação mais rala do Semi-árido,
a Caatinga. As áreas mais elevadas sujeitas a secas menos
intensas, localizadas mais próximas do litoral, são chamadas
de Agreste. A área de transição entre a Caatinga e a Amazônia
é conhecida como Meio-norte ou Zona dos cocais. Grande parte
do Sertão nordestino sofre alto risco de desertificação
devido à degradação da cobertura vegetal e do solo.
[topo]
O Cerrado
O Cerrado ocupa a região do Planalto Central brasileiro.
A área nuclear contínua do Cerrado corresponde a cerca de 22% do território nacional, sendo que há grandes manchas
desta fisionomia na Amazônia e algumas menores na Caatinga
e na Mata Atlântica. Seu clima é particularmente marcante,
apresentando duas estações bem definidas. O Cerrado apresenta
fisionomias variadas, indo desde campos limpos desprovidos
de vegetação lenhosa a cerradão,
uma formação arbórea densa. Esta região é permeada por matas
ciliares e veredas, que acompanham os cursos d'água.
[topo]
A
Mata Atlântica
A
Mata Atlântica, incluindo as florestas estacionais semideciduais,
originalmente foi a floresta com a maior extensão latitudinal
do planeta, indo de cerca de 6 a 32oS.
Esta já cobriu cerca de 11% do território nacional. Hoje, porém a Mata Atlântica
possui apenas 4% da cobertura original. A variabilidade
climática ao longo de sua distribuição é grande, indo
desde climas temperados superúmidos no extremo sul a tropical úmido e semi-árido no
nordeste. O relevo acidentado da zona costeira adiciona
ainda mais variabilidade a este ecossistema. Nos vales
geralmente as árvores se desenvolvem muito, formando
uma floresta densa. Nas enconstas
esta floresta é menos densa, devido à freqüente queda
de árvores. Nos topos dos morros geralmente aparecem
áreas de campos rupestres. No extremo sul a Mata Atlântica
gradualmente se mescla com a floresta de Araucárias.
[topo] |
 |
Ameaçada, a floresta
tenta sobreviver após 500 anos de devastação
Quinhentos anos de desmatamentos sumários para abrir
lavouras, pastagens, explorar madeira ou erguer cidades
acabaram por ameaçar drasticamente
uma das maiores biodiversidades do planeta: a Mata Atlântica.
Antes um gigantesco tapete verdejante que ocupava 1,29
milhão de quilômetros quadrados ao longo de 17 Estados
brasileiros, vizinha ao oceano Atlântico, hoje seus remanescentes
somados são calculados em meros 7,3% em todo o País. Apesar
das rigorosas leis de proteção implantadas na segunda metade
do século 20, o risco de extinção permanece: ainda há muito
o que fazer para conter a atividade irregular dos
madeireiros, o avanço mal planejado dos meios urbanos e
o tráfico de espécies animais e vegetais. Considerada por
entidades internacionais como um dos biomas prioritários
para execução de políticas de conservação, a Mata Atlântica,
que já cobriu quase todo o território catarinense, hoje
ocupa apenas 17,4% do Estado. Mas, segundo levantamentos
recentes, dá sinais incontestáveis de que tem, sim, capacidade
de se recuperar.
[topo]
Ecossistema
- Mata
Atlântica está ameaçada de extinção
Florianópolis - Reduzida a 7,3% de seu território
original (que era de 1,29 milhão
de quilômetros quadrados, ou 12% do território nacional),
a Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados de
extinção do mundo. Hoje, restam 94 mil quilômetros quadrados
de sua cobertura original. Mas esses 7,3% de áreas remanescentes
- e muito fragmentadas - não estão distribuídos uniformemente
para todos os conjuntos florestais que compõem o bioma.
Vários deles estão mal conservados, quase extintos, ou ainda
sub-representados nas unidades de conservação.
Mesmo com a devastação acentuada, a Mata Atlântica
ainda abriga uma parcela significativa da diversidade biológica
brasileira. O total de mamíferos, aves,
répteis e anfíbios que ali ocorrem alcança 1.361
espécies, sendo 567 endêmicas (que só ocorrem ali), representando
2% de todas as espécies do planeta. Mas mesmo com a grande
biodiversidade, 171 espécies da Mata Atlântica estão na
lista oficial das 202 ameaçadas de extinção no Brasil. A
Mata Atlântica ainda possui 20 mil espécies de plantas -
das quais 8 mil são endêmicas - e se constitui no segundo
maior bloco de floresta tropical do País. Levantamento realizado
em 1996 na Estação Biológica de Santa Lúcia, no Espírito
Santo, mostrou que, em apenas um hectare de Mata Atlântica,
foram encontradas 476 espécies de árvores. É a maior diversidade
arbórea do mundo, superando todos os números conhecidos
da Amazônia.
Além da importância biológica, esse conjunto de ecossistemas
é fundamental à manutenção do equilíbrio sócio-ambiental.
Para cerca de 70% da população brasileira (mais de 100 milhões
de pessoas) que vive em seu domínio, ela regula o fluxo
dos mananciais hídricos (nela nascem ou passam diversos
rios importantes, entre eles o Paraná, Tietê, São Francisco,
Paranapanema, Itajaí-Açu e Cubatão), assegura a fertilidade
do solo, controla o clima e protege escarpas e encostas
das serras, além de preservar um grande patrimônio histórico
e cultural. Recentemente foi considerada, a partir de estudos
realizados por agências de fomento e grupos de especialistas,
uma das grandes prioridades para a conservação de biodiversidade
nas Américas. (FL)
[topo]
Formações florestais
são encontradas em 17 Estados brasileiros
A área de domínio do bioma Mata Atlântica compreende
um conjunto de formações florestais que abrangem total ou
parcialmente 17 Estados brasileiros situados ao longo da
costa atlântica, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do
Sul, além dos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. A floresta
ombrófila mista, onde predomina
o pinheiro-brasileiro, é a formação mais ameaçada da Mata
Atlâtica, com apenas 3% de remanescentes da estrutura original.
De acordo com o último levantamento publicado pela
Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto
Socioambiental (ISA) e o Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento, feito em nove Estados, o
Rio de Janeiro foi o que mais perdeu essa cobertura florestal.
Em números absolutos, o Estado teve sua área florestal reduzida
em mais de 140 mil hectares, representando uma perda de
13% com relação ao levantamento anterior (entre 1985 e 1990).
O segundo Estado que mais devastou foi Minas Gerais, que
perdeu 88.951 mil dos hectares existentes em 1990, restando
hoje 7,32% da estrutura original. Os nove Estados estudados
também destruíram outros 14.392 hectares de manguezais e
restingas, ecossistemas associados à Mata Atlântica.
Os Estados do Nordeste não foram mapeados mas nessa região, segundo a entidade, a situação não é melhor.
No Sul da Bahia, por exemplo, concentra-se um dos maiores
focos de desmatamento da atualidade. O Conselho Nacional
do Meio Ambiente (Conama) interveio através da aprovação da resolução 240, suspendendo
todos os planos de manejo aprovados pelo Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para madeireiros da região. (FL)
[topo]
Desmatamento reflete
falta de controle dos órgãos ambientais
Os 7,3% restantes da estrutura original da Mata Atlântica
refletem o desmatamento - e a conseqüente perda de hábitat
- ainda acelerado e fora do controle dos órgãos ambientais públicos
responsáveis. Embora esse complexo florestal esteja reconhecido
como patrimônio nacional desde 1988, com a promulgação da
Constituição Brasileira, um monitoramento feito pela Fundação
SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Socioambiental (ISA), mostrou que
somente entre 1990 e 1995 mais de meio milhão de hectares
de florestas foram destruídos em nove Estados das regiões
Sul, Sudeste e Centro-oeste - que concentram aproximadamente
90% do restante da Mata Atlântica.
Esse valor é equivalente a mais de 714 mil campos
de futebol eliminados do mapa em cinco anos, a uma velocidade
de um campo de futebol derrubado a cada quatro minutos -
uma destruição proporcionalmente três vezes maior do que
a verificada na Amazônia no mesmo período. Somando-se esses
números aos do estudo anterior, referente ao período 1985-1990,
chega-se à cifra de 11% de Mata Atlântica destruída em dez
anos, provocando uma queda de 8,8% para 7,3% na estimativa
de mata primária e secundária em regeneração remanescente
em todo o País.
De acordo com o Centro de Pesquisas Iracambi, de Minas Gerais, esses 500 mil hectares de matas
derrubadas entre 1985 e 1990 "desapareceram porque
na década de 80 a economia brasileira estava muito fraca.
O Brasil começou a ter que pagar os empréstimos feitos durante
a ditadura militar. Subsídios para agricultura foram cortados
e a inflação aumentou muito, ao mesmo tempo em que o mercado
mundial se virou contra a agricultura. A pressão em cima
dos fazendeiros brasileiros para que explorassem ainda mais
os recursos de suas terras foi imensa.
A conseqüência disso foi a derrubada da floresta, o cultivo
intenso das terras e o desgaste do solo. A vegetação virou
pasto e foi consumida pelo gado. O que restou foi levado
pela chuva e iniciou o processo de erosão do solo, tornando-o
inadequado para o plantio. Com isso o fazendeiro acabava
derrubando mais florestas para plantar".
Um novo levantamento sobre os remanescentes de Mata
Atlântica em dez Estados do Centro-sul,
relativo ao período de 1995 a 2000, começou a ser divulgado
no mês passado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe.
Por enquanto os únicos números conhecidos são os do Rio
de Janeiro, que, de acordo com o levantamento anterior,
foi o que mais desmatou entre 1990 e 95. Pelo novo
Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica,
nesse Estado restam hoje 16,7% dos mais de 734 mil hectares
originais. Os números relativos a
Santa Catarina devem ser divulgados pela Fundação SOS Mata
Atlântica no final de maio, em Florianópolis.
[topo]
Riqueza biológica
Os
índices preliminares de remanescentes apontam para uma redução
no ritmo de desmatamentos. No entanto, descobriu-se que
a floresta remanescente está bastante fragmentada e esse
processo continua ocorrendo em muitas regiões, comprometendo
a conservação da fauna e da flora. Estudos comprovam que
a floresta fragmentada perde sua riqueza biológica causando,
em muitos casos, quadros irreversíveis.
Cem
hectares de Mata Atlântica contínua não são iguais a dez
fragmentos de dez hectares. Nos pequenos remanescentes os
animais maiores e os predadores não se sustentam e migram
para outra região ou morrem. Alguns pequenos animais desaparecem,
dependendo de sua dieta e/ou das necessidades de abrigo
que tenham. Matas pequenas também têm menos chance de renovação.
Em geral, as estratégias de reprodução das árvores, desenvolvida
ao longo de milhares de anos, incluem a dispersão de suas
sementes num raio muito grande em seu entorno, seja
através dos animais, da água ou do vento. (FL)
[topo]
Estados com domínio
da Mata Atlântica
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
São Paulo
Goiás
Mato Grosso do Sul
Rio de Janeiro
Minas Gerais
Espírito Santo
Bahia
Alagoas
Sergipe
Paraíba
Pernambuco
Rio Grande do Norte
Ceará
Piauí
Fonte:
Apremavi
[topo]
SC tem apenas 17,4%
da floresta original
Florianópolis - Todas as formações florestais de Santa
Catarina estão inseridas no domínio do bioma da Mata Atlântica.
Mas hoje, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, resta
apenas 17,4% dos 85% da estrutura original desta cobertura
florestal. Da extensão territorial do Estado - de 95.985
quilômetros quadrados - 81.587 quilômetros quadrados eram
de domínio da Mata Atlântica. Pelos últimos levantamentos
publicados pela fundação, em conjunto com o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe)
e o Instituto Socioambiental (ISA), Santa Catarina perdeu,
somente entre os anos de 1990 e 1995, mais de 70 mil hectares.
Esse número equivale a 55 campos de futebol por dia.
O município que mais desmatou foi Abelardo Luz, no
Oeste do Estado, onde sumiram 4,5 mil hectares de floresta
ombrófila mista (onde predomina a araucária). Nesse município
foram implantados 16 assentamentos de reforma agrária, com
2,2 mil famílias assentadas.
[topo]
Recorde
Das perdas referentes ao início da década de 90 mais
de 8.694 hectares foram de restingas e 155 de manguezais.
Isso rendeu a Santa Catarina o título de Estado campeão
em desmatamento de restinga entre 1990 e 1995, especialmente
na região de Joinville. O dado é ressaltado pelo presidente
da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani.
"Houve grande desmatamento de restinga nesta
região. Além disso, tem o problema de que o Ibama da região não concorda com alguns pontos do Decreto
750, de 1993, que define quais vegetações estão inclusas
na Mata Atlântica", considera.
Além dos assentamentos de reforma agrária, da fumicultura
no Sul do Brasil e da expansão agropecuária, a especulação
imobiliária foi uma das principais causas dos desmatamentos
que culminaram nos atuais - e drásticos - índices de remanescentes
florestais. Em Santa Catarina eles estão concentrados, em
sua maioria, em propriedades privadas e em áreas dominadas
por indústrias madeireiras.
[topo]
Expectativa
A boa notícia, sinalizada pelos dados divulgados pela
equipe da Fundação SOS Mata Atlântica, é a redução no ritmo
de devastação nos Estados em que, entre 1985 e 1990, foram
os que mais desmataram: Santa Catarina e Paraná. Apesar
disso, os números absolutos são bastante elevados, considerando
que o primeiro continua sendo o maior devastador de restinga
e o segundo, de pinheirais.
Atualmente, as três entidades trabalham na finalização
dos dados referentes ao período entre 1995 e 2000. Foram
adotadas novas tecnologias e metodologias e o aperfeiçoamento
incluiu o uso de imagens digitais, o que permitiu ampliar
a escala de mapeamento de 1:250.000
para 1:50.000 e reduzir a área mínima monitorada para dez
hectares. (FL)
[topo]
O Pantanal Mato-Grossense
O Pantanal mato-grossense é a maior planície de inundação
contínua do planeta, coberta por vegetação predominantemente
aberta e que ocupa 1,8% do território nacional. Este ecossistema
é formado por terrenos em grande parte arenosos, cobertos
de diferentes fisionomias devido a
variedade de microrelevos e regimes de inundação. Como área transicional entre Cerrado e Amazônia, o Pantanal ostenta
um mosaico de ecossistemas terrestres com afinidades
sobretudo com o Cerrado.
[topo]
Outras Formações
- Os
Campos do Sul (Pampas)
No
clima temperado do extremo sul do país desenvolvem-se os
campos do sul ou pampas, que já representaram 2,4% da cobertura
vegetal do país. Os terrenos planos das planícies e planaltos
gaúchos e as coxilhas, de relevo suave-ondulado, são colonizados
por espécies pioneiras campestres que formam uma vegetação
tipo savana aberta. Há ainda áreas de florestas estacionais
e de campos de cobertura gramíneo-lenhosa.
[topo]
A
Mata de Araucárias (Região dos Pinheirais)
No
Planalto Meridional Brasileiro, com altitudes superiores
a 500m, destaca-se a área de dispersão do pinheiro-do-paraná, Araucária angustifolia,
que já ocupou cerca de 2,6%
do território nacional. Nestas florestas coexistem representantes
da flora tropical e temperada do Brasil, sendo dominadas,
no entanto, pelo pinheiro-do-paraná.
As florestas variam em densidade arbórea e altura da
vegetação e podem ser classificadas de acordo com aspectos de solo, |
 |
como aluviais, ao longo dos rios, submontanas,
que já inexistem, e montanas, que dominavam a paisagem. A vegetação aberta
dos campos gramíneo-lenhosos ocorre sobre solos rasos. Devido
ao seu alto valor econômico a Mata de Araucária vêm sofrendo
forte pressão de desmatamento. Exploração indiscriminada.Florestas
de araucária foram devastadas.
As
florestas de araucária (tecnicamente chamadas de floresta
ombrófila mista) representam o quadro
mais grave em termos de exploração indiscriminada no Sul do
País. "Alguns estudos apontam uma perda de diversidade
da ordem de 51% nessas florestas", aponta o professor
João de Deus Medeiros. No início do século as araucárias dominavam
cerca de 25% do Sul do Brasil, segundo
o professor Miguel Guerra. Hoje as estimativas otimistas indicam
que essa floresta está reduzida a 3% do território da região.
"A
mata de araucária é emblemática porque era a única floresta
de coníferas do mundo inteiro dominada por uma única espécie.
Ela tem toda uma singularidade", considera Guerra. Segundo
ele, pesquisas feitas na pós-graduação em recursos genéticos
vegetais - que foi pioneira na pesquisa a respeito do manejo
de espécies florestais - indicam que a araucária tem grande
potencial de melhoramento genético. "O pinus tem 100 anos de melhoramento genético - quatro gerações.
A araucária não tem nenhuma geração de melhoramento genético,
e mesmo assim é uma planta com bom sítio de produção. Ela
teria uma produção de biomassa equivalente à produção de pinus",
afirma. "Mas existe uma cultura extrativa predatória
que diz 'taí, é pra derrubar mesmo'. Engraçado que há políticos tidos
de boa estirpe envolvidos nesse processo", lamenta o
professor.
De
acordo com João de Deus Medeiros, o último remanescente respeitável
de mata de araucária fica nos municípios de Abelardo Luz e
Passos Maia, na região do rio Chapecó, Meio-oeste do Estado.
"É um grande remanescente contínuo de araucária, de floresta
realmente bem conservada. No restante do Estado há manchas
esparsas, ilhotas remanescentes isoladas em função da ocupação
do espaço adjacente pela agricultura", descreve, referindo-se
a um sobrevôo feito com integrantes da Apremavi. "Do helicóptero, a gente via só um tapete verde",
conta sobre o remanescente que, pondera,
não se pode afirmar ser de formação primária (nunca antes
desmatado). "Mas certamente é uma formação que teve interferência
muito pequena, um dos poucos muito bem preservados do Estado."
(APL)
[topo]
Ecossistemas costeiros
e insulares
Os
ecossistemas costeiros geralmente estão associados à Mata
Atlântica devido a sua proximidade. Nos solos arenosos dos
cordões litorâneos e dunas, desenvolvem-se as restingas, que
pode ocorrer desde a forma rastejante até a forma arbórea.
Os manguesais e os campos salinos
de origem fluvio-marinha desenvolvem-se
sobre solos salinos. No terreno plano arenoso ou lamacento
da Plataforma Continental desenvolvem-se os ecossistemas bênticos.
Na zona das marés destacam-se as praias e os rochedos, estes
colonizados por algas. As ilhas e os recifes constituem-se
acidentes geográficos marcantes da paisagem superficial.
[topo]
Urbanização é fator
de risco para ecossistemas costeiros
Enquanto
a exploração da madeira e a agricultura são as principais
ameaças das florestas de araucária, no caso dos ecossistemas
costeiros a urbanização parece ser o principal fator de risco.
A situação da Ilha de Santa Catarina, que abriga a Capital
do Estado, Florianópolis, é emblemática. Dos seus 423 quilômetros
quadrados, 90% eram originalmente cobertos por vegetação de
Mata Atlântica - floresta ombrófila densa, restingas e manguezais - e o restante por
lagoas e dunas sem vegetação, segundo estudo de Mariléia
Caruso citado no relatório "Uma cidade numa Ilha"
(Editora Insular, 1997), da organização não-governamental
Centro de Estudos Cultura e Cidadania (Cecca). Até 1978, segundo esse levantamento, nada menos que
87,8% dessa vegetação havia sido desmatada.
Inicialmente
essa devastação também esteve associada à abertura de campos
para a agricultura e pecuária, a partir do estabelecimento
das colônias de açorianos, em 1748. Com o declínio da agricultura
e o início do processo de urbanização, já no século 20, muitas
áreas livres foram abandonadas e hoje estão em diferentes
estágios de regeneração. "É possível afirmar que a Ilha
possui hoje mais floresta em pé do que no período em que a
agropecuária estava no seu auge. Entretanto, sabemos que esta
atual floresta em pé está longe de ser a mesma, em termos
de diversidade e estrutura, que a encontrada pelos primeiros
colonizadores", observa o trabalho do Cecca.
Nos
últimos 30 anos a ocupação das áreas tidas como de preservação
permanente aumentou de forma drástica em Florianópolis. Os
manguezais, situados nas margens das baías, já serviram de
fonte de lenha e hoje, apesar de estarem inseridos em unidades
de conservação como a Estação Ecológica de Carijós (Norte
da Ilha) e a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé
(Sul), são alvo de aterros e receptores de esgotos não tratados.
O manguezal do Itacorubi, que fica
mais próximo do aglomerado urbano, sediou até o final da década
de 80 o lixão do município.
As
restingas, que representavam originalmente 7% da cobertura
vegetal da Ilha (29,6 quilômetros quadrados), tiveram 22,4%
de sua área desmatada até 1978, segundo o levantamento de
Mariléa Caruso. "A localização
dessas áreas junto ao mar aumenta a pressão das invasões devido
à especulação imobiliária, propiciada pela valorização dos
terrenos gerada pelo turismo", diz o trabalho do Cecca.
(APL)
TRÁFICO
1 -
Os indígenas deram grande apoio aos portugueses para capturar
animais vivos e peles. Além do pau-brasil, em 1511 o navio
Bretoa levou à Europa uma carga
com 23 periquitos, 16 felinos, 19 macacos e 15 papagaios.
TRÁFICO
2 -
Já em 1532, registros indicam que o navio Pélérine
transportou às terras do Velho Mundo 3
mil peles de leopardos, 300 macacos e 600 papagaios, aves
que eram apreciadas por sua plumagem exuberante.
TRÁFICO
3 -
A exploração do pau-brasil foi mais intensa no Nordeste, porque
as árvores do Sul eram pouco apreciadas. Em 1534, a Coroa
decretou que todas as árvores da espécie eram propriedade
real e sujeitou a exploração a concessão.
FAUNA
1 -
A exploração desordenada tem levado a fauna brasileira a um
processo intenso de extinção de espécies. O avanço da fronteira
agrícola e a caça - esportiva, de subsistência ou com fins
econômicos - contribuem para o fenômeno.
FAUNA
2 -
O processo cresceu nas últimas duas décadas, à medida que
a população e os índices de pobreza aumentam. O Ibama tem uma lista oficial de animais
ameaçados de extinção, elaborada em conjunto com especialistas.
FAUNA
3 -
O Brasil possui 208 espécies oficialmente ameaçadas de extinção.
Os comitês e grupos de trabalho que assessoram o Ibama
na elaboração da lista produziram também planos de manejo
para duas espécies: a jaguatirica e o lobo-guará.
FLORA
1 -
Portaria estabelece que a coleta, transporte, comercialização
e industrialização de plantas ornamentais, medicinais, aromáticas
e tóxicas, oriundas de floresta nativa, dependem de autorização
do Ibama.
FLORA
2 - Atualmente,
107 espécies de plantas são reconhecidas oficialmente como
ameaçadas de extinção. A divisão de flora do Ibama
tem a tarefa de propor e executar medidas e programas especiais
para sua conservação.
FLORA
2 -
Atualmente, 107 espécies de plantas são reconhecidas oficialmente
como ameaçadas de extinção. A divisão de flora do Ibama
tem a tarefa de propor e executar medidas e programas especiais
para sua conservação.
Estes
dados foram fornecidos pelo IBGE
 |
Em
novembro de 1971, o biólogo alemão Harald Sioli,
do Instituto Max Planck, estão fazendo pesquisas na Amazônia,
foi entrevistado por um repórter de uma agência de notícias
americana. O jornalista estava interessado na questão da
influência da floresta sobre o planeta e o pesquisador respondeu
com precisão a todas as perguntas que lhe foram feitas.
Mais tarde, porém, ao redigir a entrevista, o repórter acabou
cometendo um erro que ajudaria a criar um dos mais persistentes
mitos sobre a floresta amazônica. Numa de suas respostas,
Sioli afirmara que a floresta
continha grande quantidade de dióxido de carbono ( CO² ) existente na atmosfera. No
entanto, ao transcrever a declaração, o jornalista esqueceu
a letra C - símbolo do átomo de carbono - da fórmula citada
pelo biólogo, que ficou no texto como O², o símbolo da molécula de oxigênio.
A
reportagem com o oxigênio no lugar do dióxido de carbono
foi publicada pelo mundo afora e assim, da noite para o
dia, a Amazônia se tornou conhecida como "pulmão do
mundo" - uma expressão de grande impacto emocional
que tem ajudado a semear a confusão no debate apaixonado
entre os efeitos ambientais em larga escala da ocupação
da floresta. É um debate em que, por enganos como aquele,
maus argumentos acabam sendo usados para escorar uma causa
justa. As organizações de defesa da ecologia misturam às
vezes no mesmo balaio fatos e fantasias ao alertar para
os perigos das queimadas da floresta amazônica - até porque
dados e conceitos capengas sobre o assunto só levam água
para o moinho daqueles que não querem que se faça alarde
algum sobre as agressões à natureza que ali se cometem.
De
resto, não e tão simples assim achar as verdades definitivas
sobre o papel que a floresta desempenha no quebra-cabeça
ambiental, num mundo assolado por espectros do tipo efeito
estufa, desertificação, chuva acida e destruição da camada
de ozônio, para citar apenas os mais assustadores. As
teimosas referencias ao "pulmão do mundo",
nesse contexto, são exemplares. Pois a Floresta Amazônica,
simplesmente, não e o "pulmão do mundo". E o motivo
não é difícil de entender. As arvores,
arbustos e plantas de pequeno porte, da mesma forma que
os animais, respiram oxigênio durante as 24 horas do dia.
Na floresta, a quantidade desse gás produzida de dia pelas
plantas é totalmente absorvida durante a noite, quando a
falta de sol interrompe a fotossíntese. Os vegetais são
capazes de criar eles próprios os alimentos de que precisam.
O responsável por essa característica e justamente a fotossíntese.
Na
presença da luz solar, graças a uma molécula chamada clorofila,
que lhes da a coloração verde característica,
as plantas, incluindo as algas e o plâncton marinho, retiram
da atmosfera dióxido de carbono e o transformam em carboidratos,
principalmente glicose, amido e celulose. Desta sucessão
de reações químicas, sobra o oxigênio, do qual uma parte
é aproveitada para os processos respiratórios dos vegetais
e outra é lançada na atmosfera. Quando a planta é jovem,
em fase de crescimento, o volume de oxigênio produzido na
fotossíntese é maior que o volume necessário à respiração.
Nesse caso, a planta produz mais oxigênio do que utiliza.
Isso
acontece porque a planta jovem precisa fixar um grande volume
de carbono para poder sintetizar as moléculas que são a
matéria-prima de seu crescimento. Já nas plantas maduras,
porem, o consumo de oxigênio na respiração tende a igualar
o total produzido na fotossíntese. A Amazônia não constitui
uma floresta em formação. Ao contrario, é um exemplo da
plenitude do ecossistema interação entre um ambiente e os
seres vivos que o habitam chamado floresta tropical úmida.
Nela, portanto, os seres vegetais já crescidos consomem
todo o oxigênio que produzem. Apesar de não ser o pulmão
do mundo, a floresta amazônica apresenta outras características
que muito contribuem para a manutenção da vida no planeta.
As
florestas são grandes fixadoras do carbono existente na
atmosfera. Somente as matas tropicais contem cerca de 350
milhões de toneladas de carbono, aproximadamente a metade
do que há na atmosfera. Ora, o ciclo deste elemento químico
esta saturado no planeta, como dizem os especialistas. Devido
a queima de combustíveis fosseis
gás, carvão e petróleo o carbono se acumula cada vez mais
na atmosfera, na forma de dióxido de carbono, metano e compostos
de clorofluorcarbono. Esse
acumulo é responsável pelo chamado efeito estufa,
o aprisionamento da energia radiante que, se suspeita, tende
a aumentar a temperatura global da Terra, com efeitos catastróficos
também para o homem. Nesse quadro, as florestas exercem
uma função essencial, na condição de maiores controladoras
do efeito estuda. Por isso, na opinião de um cientista,
a Floresta Amazônica é o "grande filtro" do planeta.
Segundo
cientistas brasileiros, medições feitas em 1987 mostraram
que cada hectare da floresta retira da atmosfera, em media,
cerca de 9 quilos de carbono por dia (
um hectare equivale a dez mil metros quadrados ).
A cada ano, o homem lança na atmosfera algo como 5
bilhões de toneladas de carbono. É como se cada ser humano
fosse pessoalmente responsável pelo lançamento de uma tonelada
de gás por ano. Somente a Amazônia brasileira, com seus
350 milhões de hectares, retira do ar aproximadamente 1,2
bilhão de toneladas anuais, ou seja, pouco mais de
um quinto do total. Números como esses causariam polemica
num passado não muito remoto, quando se duvidava que a floresta
fosse capaz de armazenar tamanho volume de carbono. Hoje,
porem, se sabe que a assimilação apenas repõe o volume de
gás continuamente perdido para o solo e para os rios.
Uma
controvérsia que freqüentemente aquece a discussão sobre
a floresta amazônica diz respeito à parte que cabe às queimadas
na região de acumulação de CO²
na atmosfera. Os cálculos mais aceitos dizem que as queimadas
liberam 200 milhões de toneladas de carbono por ano, ou
seja, 4 por cento da emissão total.
Segundo o INPE, os desmatamentos por queimadas de todas
as florestas do globo contribuem com 16% do acúmulo de dióxido
de carbono. Mesmo que a floresta amazônica fosse queimada,
especulam, "o aumento da concentração do gás seria
da ordem de 2 por cento".
Dito desse modo, pode-se ter a
impressão de que pouco importa para o clima planetário haver
ou não uma Amazônia. Nada mais errado e perigoso. Pois,
alem de serem controladoras do efeito estufa, as florestas
podem exercer enorme influencia sobre o clima do globo.
A Amazônia é uma grande maquina de produzir calor. Daí seu
papel decisivo para manter estável o clima nos países do
hemisfério norte.
A
produção de calor na floresta resulta das altas taxas de
evaporação e transpiração no local. Na Amazônia, cerca de
80 a 90% da energia disponível é consumida nesse processo.
Quando o vapor de água se condensa para formar nuvens, libera
a mesma quantidade de energia que foi necessária à sua evaporação.
À medida que as nuvens crescem, vão convertendo mais vapor
em gotas de água, aquecendo a atmosfera circundante. Há
dias na Amazônia em que a temperatura nas camadas mais altas
cerca de 10 mil metros do solo chega a aumentar 30 graus.
Essa fantástica quantidade de calor é então transportada
para fora dos trópicos, rumo ao hemisfério norte.
Alem
da Amazônia, existem duas outras grandes fontes de calor
no planeta. Uma é a floresta tropical da bacia do rio Congo,
na África Central. A outra é de origem oceânica
: uma região do Pacifico próxima ao norte da Austrália
e à Indonésia, onde uma confluência de correntes faz com
que a temperatura da água esteja sempre entre os 27 e 31
graus. As altas temperaturas fazem com que as taxas de evaporação
sejam igualmente elevadas, promovendo a formação de nuvens
e conseqüente produção de calor, A destruição da floresta
poderia alterar dramaticamente o clima dos países do hemisfério
norte, segundo os climatológos.
"Sem o transporte de calor dos trópicos, esses países
passariam a ter invernos ainda mais frios e mais longos".
Toda
floresta é um ecossistema extremamente complexo. As florestas
constituem o ponto final do processo evolutivo dos ecossistemas
terrestres no planeta. "Estes representam o máximo
de vida possível em um determinado espaço. A tendência natural
da vida na Terra é produzir florestas", dizem os ecólogos.
Existem três grandes tipos de florestas no mundo a boreal,
encontrada nas altas latitudes do hemisfério norte; as temperadas,
que existem nos Estados Unidos, norte da Europa e na Ásia;
e as tropicais, mais próximas do equador, que cobrem 7%
da superfície da Terra e abrigam pelo menos metade das espécies
do planeta.
Cada
qual tem suas próprias especificidades e características
próprias, mas as três apresentam uma coisa em comum : são exemplos bem-sucedidos da colonização de extensas
áreas pelos vegetais. A floresta amazônica provavelmente
é o melhor exemplo. Arraigada a solos pobres em minerais
e material orgânico, a floresta não só se auto-sustenta
e se mantêm, como também exibe
uma exuberância e uma riqueza de espécies inigualável em
todo o planeta. Estima-se que a Amazônia abriga cerca de
80 mil espécies vegetais e possivelmente 30 milhões de espécies
animais a maioria insetos.
Examinada
mais de perto, a floresta amazônica parece um paradoxo ecológico.
De fato, como a maior floresta do mundo consegue existir
em solos tão ralos e secos, que não chegam a oferecer sustentação
às plantas, obrigadas então a espalhar suas raízes para
adquirir estabilidade ? Milhões de anos de chuvas levaram os solos antigos
da Amazônia, que na sua configuração atual existe há uns
15 mil anos, transportando para os rios e depois para o
mar toda a sua riqueza mineral. Para enfrentar o problema,
os vegetais parecem Ter inventado esquemas alternativos
de sobrevivência. Em resumo, aprenderam a se alimentar por
si mesmos.
Ao
contrario do que ocorre na floresta temperada, cujos solos
são nutritivos, os ciclos de vida na floresta tropical –
principalmente na Amazônia – devem ser mais velozes. As
folhas das arvores caem mais depressa e uma vez no solo
se decompõem mais rapidamente para que seus nutrientes possam
ser reaproveitados no menor tempo possível pelos vegetais
ao redor. Isso faz com que o suprimento vital de alimento
na floresta esteja armazenado na própria folhagem. Assim,
a riqueza das florestas tropicais está na massa vegetal,
não no solo. Isso enganou e ainda engana aqueles que, diante
das arvores portentosas, acharam que os solos da floresta
seriam tão férteis que neles em se plantando tudo daria.
Estima-se
que a floresta tenha de 500 a 700 toneladas de matéria verde
viva por hectare, incluindo caules, troncos e raízes. Desse
total, as folhas representam cerca de 20 toneladas, ou seja,
algo como 3 ou 4%. Em comparação
com a massa vegetal, a fauna não e tão abundante. Existem
somente 30 quilos de herbívoros por hectare, por exemplo.
A razão desse outro paradoxo é a mesma da anterior. Apesar
da exuberância e variedade, as espécies vegetais da floresta
são extremamente pobres em vitaminas e nutrientes, o que
as torna inadequadas ao sustento de rebanhos animais.
Essa
é também a causa da rarefação humana no ecossistema da floresta
tropical. Mesmo as comunidades indígenas que ali se desenvolveram
se caracterizam pelo numero relativamente limitado de membros.
A Amazônia não atrai naturalmente grandes aglomerações humanas.
A falta de animais herbívoros acarreta, por outro lado,
um menor numero de espécies de
mamíferos selvagens. Em termos da presença desses animais,
a Amazônia fica atras de todas
as formações vegetais do planeta. A extrema diversificação
de espécies vegetais na floresta cerca de trezentas variedades
por hectare, em media também é uma resposta da natureza
às condições desfavoráveis da região.
Cada
espécie tem suas características próprias quanto à disposição
das raízes no solo e ao aproveitamento dos nutrientes. Assim,
quanto maior for a diversidade
numa área, maior o aproveitamento de todos. Praticamente,
nada é perdido. Na Amazônia, a competição parece ter alcançado
um estágio de requintado equilíbrio. A variedade de espécies
vegetais só é igualada pela de insetos, vermes e outros
ínfimos seres que constituem a microfauna
da floresta. Em cada hectare podem ser encontradas cerca
de 120 toneladas dessas formas de vida. Outra região da
floresta tropical, a ilha de Barro Colorado, na zona do
Canal de Panamá, hospeda cerca de 20 mil espécies de insetos.
Para se ter uma idéia do que isso significa, em toda a França,
por exemplo, não existem mais do que algumas centenas. A
grande diversificação de espécies, para os cientistas, é
o que constitui a maior riqueza das florestas tropicais.
Algumas
pesquisas estimam que somente na Amazônia possa residir
cerca de 30% de todo o estoque genético do planeta, ou seja,
30% de todas as seqüências de DNA que a natureza combinou.
É um numero extraordinário, e certos pesquisadores ainda consideram tratar-se
de um calculo por baixo. Uma coisa é absolutamente certa
: a preservação da variedade genética da floresta
amazônica – que faz da região uma espécie de banco de genes,
o maior do mundo – deve ser um dos argumentos mais fortes
contra o desmatamento por atacado e a ocupação sem critério
da Amazônia. Pois, por mais abstrato que esse argumento
possa parecer aos invasores do local – desde os simples
colonos que migraram de outras regiões às empresas multinacionais
de mineração – cada espécie é única e insubstituível e sua
destruição pode significar a perda de um importante acervo
genético, de incalculável valor prático para o homem.
Apenas
se começa a aprender a ler as informações contidas nas florestas
tropicais – e existe aí uma verdadeira enciclopédia a ser
conhecida. Os índios com certeza tem
algo a ensinar nesse vasto capitulo. Os antropólogos descobriram
que cada comunidade indígena que habita a Amazônia dispõe
de um cardápio de pelo menos cem plantas e um receituário
de duzentas espécies vegetais. Um exemplo relativamente
recente da utilização do estoque genético da floresta é
o desenvolvimento de um remédio contra a hipertensão inspirado
no veneno da jararaca. Essa cobra mata a sua presa com uma
substancia toxica que reduz a
zero a pressão sangüínea do animal. Os estudos sobre a ação
do veneno no organismo trouxeram informações valiosas para
o reconhecimento da pressão no ser humano.
É
esse patrimônio que deve ser preservado junto com as florestas.
É um desafio urgente. O atual ritmo de extinção de espécies
no mundo provavelmente não tem paralelo. Os pesquisadores
calculam que nos próximos 25 anos cerca de 1,2 milhão de
espécies ( dos até 30 milhões que
se supõe existir na Terra ) desaparecerão por completo com
a devastação de seus refúgios florestais. Isso equivale
a um genocídio de aproximadamente 130 espécies inteiras
por dia.
O
debate em torno da preservação das florestas tropicais ainda
esta longe de se esgotar. A maioria das
previsões mais ou menos desastrosas que se faz nesse campo
estão atreladas a modelos matemáticos, muitas vezes
passíveis de falhas. De todo modo, enquanto os especialistas
conferem suas projeções, fatos acontecem. E a idéia de preservar
indefinidamente a floresta amazônica se mostra cada vez
mais impraticável. Como a vocação da Amazônia é essencialmente
florestal, é necessária a sua utilização racional, menos
predatória.
A
questão que está posta é rigorosamente esta : conjugar o desenvolvimento e a abertura de novas fronteiras
com o delicado equilíbrio que sustenta os ecossistemas da
floresta tropical. Iniciativas como a construção de grandes
hidrelétricas devem ser planejadas cuidadosamente, se bem
que seus efeitos a longo prazo
para a floresta ainda sejam desconhecidos. Não se pode perder
de vista um dado essencial : o
conhecimento sobre a dinâmica das florestas tropicais ainda
é muito precário. Não ocorre o mesmo com as florestas temperadas
do hemisfério norte. Por sinal, ao contrario do que se imagina, essas florestas vêm aumentando sensivelmente nas ultimas
décadas. Na França, por exemplo, representam atualmente
cerca de 30% do território menos em todo caso do que ao
tempo da Revolução de 1789. Calcula-se que a chuva acida
e a poluição danificaram pouco
mais de um quinto das áreas florestais na Europa. No Japão,
o ultimo relatório anual sobre a situação do meio ambiente
no pais mostra que 67% do arquipélago
está coberto de florestas. Se a isso se somarem as áreas
ocupadas por lagos, montanhas, neves eternas
e pradarias, se verá que ali as regiões naturais
chegam a 80% da área total. Em resumo, toda a extraordinariamente
vigorosa economia do Japão brota numa área inferior ao estado
do Rio de Janeiro prova de que a propriedade não é incompatível
com a preservação da natureza. Ou com seu uso inteligente,
quando não há outra alternativa.
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